O primeiro pilar da autoestima: A consciência

terça-feira, 1 de junho de 2010

Chafic Jbeili – www.chafic.com.br
A autoestima está para a dinâmica psíquica tal qual o sistema imunológico está para o corpo.
Da mesma forma como o corpo se protege dos ataques de agentes nocivos ao organismo, a qualidade do afeto e valor próprio que cada pessoa nutre sobre si mesma resguardará sua saúde mental, fortalecendo-a e preparando-a para as exigências biopsicossociais e espirituais, inerentes às suas vivências.

De acordo com o Dr. Nathaniel Branden, autoestima é a confiança que cada pessoa tem em sua capacidade de pensar; confiança em sua habilidade para lidar com os desafios da vida; acreditar que se tem o direito de vencer e ser feliz e, ainda, a convicção íntima de que a pessoa pode afirmar suas necessidades perante seus semelhantes, acreditando merecer usufruir dos resultados de seus esforços.

Considera-se, portanto, como possuidora de saudável auto-estima a pessoa que demonstra confiar nas próprias idéias e aceita intimamente ser merecedora da felicidade. Estas convicções inspiram o comportamento das pessoas e as fazem parecer mais felizes e realizadas do que outras, mesmo não tendo tanto quanto as outras pessoas possam ter.

Isto significa que não é, necessariamente, a quantidade de dinheiro, bens e intensidade de consumo que uma pessoa sustenta que irá determinar a qualidade de sua autoestima. Igualmente, quanto pior for a autoestima de uma pessoa, mais ela necessitará demonstrar status e poder, seja financeiro, social, intelectual etc.

A autoestima interfere diretamente no comportamento das pessoas e, consequentemente, a forma como cada pessoa se comporta irá influenciar a qualidade de sua autoestima, estabelecendo um ciclo constante de causa e efeito. Esta sucessão de pensamentos e atos requer atenção e cuidados instantâneos, a exemplo da pessoa que age de uma determinada forma e depois se arrepende, culpando-se e sentindo-se a pior pessoa do mundo. Acreditar nisto faz com que a pessoa adote pensamentos depreciativos sobre si mesma e então parte para atitudes autopunitivas. Assim, não se permite o mínimo prazer e evita sair, curtir os amigos ou um cinema; descuida-se da aparência pessoal e tende a cumprir apenas a rotina mais necessária que lhe for exigida.

é nestas horas que a pessoa precisa ser mais gentil consigo mesma; evitando os excessos da autoexigência e ao invés de menosprezar-se por não ter alcançado a perfeição deve perguntar-se como desenvolver ações mais assertivas. Esta atitude madura irá oportunizar pequenos avanços e melhorias na qualidade da autoestima e, por conseguinte, influenciar ações das quais a própria pessoa terá mais orgulho de si, empregando progressivamente mais valor às suas idéias e aumentando a crença de que merece e pode ser feliz.

é incrível como se pode elevar o orgulho e respeito próprios com pequenas ações. A autoestima é uma conseqüência de atitudes internas. Não se pode trabalhar diretamente a autoestima de ninguém, porque esta é a soma de pensamentos e ações. O que a pessoa faz determina o que ela pensa sobre si mesma. O que a pessoa pensa sobre si mesma influencia o “que” e “como” irá fazer algo. Isto exige o uso de uma das maiores faculdades humanas: a consciência!

Neste sentido, o primeiro dos sete pilares da autoestima é a “atitude de viver conscientemente”. Viver conscientemente é a capacidade que cada pessoa desenvolve para estar o mais cônscia possível do espaço que ocupa, onde quer que esteja presente; estar o mais cônscia possível do papel que desempenha em seu momento mais imediato, e; determinar suas ações de acordo com estas percepções.

Para os biólogos ela distingue o ser humano das demais espécies vivas. Para os médicos ela é um importante sinal vital do cérebro. Para os filósofos é um dos mais nobres atributos existenciais que o ser humano possui. Para religiosos e espiritualistas ela é interpretada como a própria iluminação. Para os cientistas da mente ela é questão imprescindível para saúde mental. Para a psicanálise é o remédio das neuroses. Ela é a consciência!

Toda pessoa é muito mais capaz, inteligente e brilhante do que imagina ser, e a consciência é a mais verídica, confiável e justa prova desta irrefutável verdade. Conhecer a si mesmo é uma das mais gratificantes tarefas que uma pessoa pode empreender durante sua vida.

Quando a pessoa simplesmente ignora suas necessidades, interesses e desejos, obrigando-se e sujeitando-se desde relacionamentos, tarefas e atitudes que contrariem suas convicções íntimas, então ela estará se traindo e ferindo sua autoestima, exceto quando tem consciência daquilo que decidiu fazer.

A pessoa que vive conscientemente percebe a força de suas palavras, de suas ações. Percebe quão firme ou frouxo é o seu aperto de mão; quão intenso ou vazio é o seu olhar; quão focada ou dispersa está a sua atenção.

Há que se permitir distrair-se, mas a distração à revelia é o mesmo que uma mente desgovernada, impulsiva, inconsciente. Penso que é a consciência quem deveria estimular as ações das pessoas e não as ações consumadas conflitar com a consciência. A não ser em caso de defesa, fuga ou evasão nas situações de risco, todas as outras ações deveria proceder ao pensamento, nunca o contrário.

Fugir à realidade é o mesmo que fugir à consciência e fugir à consciência é o mesmo que negar a responsabilidade da própria vida. Desta forma, a pessoa que vive conscientemente assume os prazeres e os desprazeres de suas realizações e de suas vivências. Não transfere o dolo de sua existência a outrem, pois apesar de às vezes ser desconfortável sabe que seu estado e condição atuais são responsabilidade sua.

A pessoa que vive conscientemente põe tudo que é no mínimo que faz. Envolve-se com sua dinâmica pessoal e com seus afazeres. Percebe-se a maior parte do tempo e, por isto, tem condições de regozijar com seus acertos e aprimorar aquilo que acredita possa melhorar, independentemente das críticas que recebe, tanto as positivas e construtivas quanto as nocivas e depreciativas, pois está com seu sistema imunológico mental fortalecido.

O mais importante, neste aspecto, não é manter forte esquema de autovigilância, antes, o mais importante é exercitar a consciência em relação à dinâmica íntima e pessoal. Viver conscientemente é ser agente de suas próprias vontades ao invés de perceber-se como vítima da vontade dos outros ou da própria circunstância. Isto faz aumentar o orgulho e respeito próprio, influenciando a qualidade da autoestima.

Para desenvolver e fortalecer o primeiro pilar da autoestima sugere-se estimular a atenção na própria pessoa. Criar dinâmicas ou jogos em que a pessoa possa observar a forma como fala, como anda, como se relaciona com outras pessoas, suas manias, suas virtudes, suas gafes. é importante rever o inventário de suas coisas prediletas: cores, músicas, flores, roupas, palavras, frases, pessoas, comidas, acessórios etc.

Pergunte a pessoa sobre o que terá de fazer para estar mais consciente em seu trabalho, em seus relacionamentos, em seus estudos, enfim, em seus momentos diários. Incentive-a fazer uma coisa de cada vez e a viver apenas um dia a cada 24 horas. A prestar mais atenção ao tempo imediato e aos movimentos do próprio corpo e das próprias palavras e atitudes, assim estará praticando a arte de viver conscientemente.

Na próxima segunda-feira falarei sobre o segundo pilar da autoestima, cuja essência principal é a atitude de estar a favor de si mesmo: a auto-aceitação.
Abraços,

Prof. Chafic Jbeili
Web cronista e editor do site Chafic.com.br
www.chafic.com.br

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