Desabafo sobre o pior

terça-feira, 27 de abril de 2010

Prof. Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Li na página 53 da edição 2161 da Revista Veja uma nota informando que o comediante Danilo Gentili lançou o livro “Como se tornar o pior aluno da Escola” onde o ilustre autor ensina, entre outras coisas, como colar em provas. A obra lançada recentemente já vendeu treze mil exemplares e eu não ficarei surpreso se alcançar selo de Best seller, dentro de algumas semanas.

Ignorando a lei do menor esforço, lancei em 2004 um livro com o título “Superando o desânimo”, onde indico alguns caminhos para conquistar e manter o ânimo e a motivação, porém depois de seis anos ainda não consegui vender cinco mil exemplares, quem dirá treze mil. Paciência! Afinal, quem quer saber de superar ânimo? A moda é passar em provas e concursos, e colar é obviamente muito mais eficaz do que buscar a motivação interior para vencer desafios com a própria competência!

Então, tive a idéia de escrever algo na negativa para quebrar as regras e, quem sabe, poder assim testar minha audiência, uma vez que as coisas mais divulgadas no Brasil estão na negativa ou pertencem à cultura trash: Os piores vídeos, os piores políticos, os piores bandidos, as piores reportagens, o pior de tudo tem muito mais audiência do que aquilo que é minimamente melhor do que nada.

O program a “Pânico na TV” bateu a audiência do Fantástico e do Domingo Espetacular, que tal? Quer mais provas? Basta dar uma passadinha na internet! E a audiência absurda do BBB10? Lembra da professora que dançou pelada? Ganhou mais dinheiro em um ano do que ganharia a vida inteira como professor. E a moça da saia curta? Está milionária! Enquanto isso, professores sofrem de um tudo!

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Como desmotivar pessoas e deixá-las arrasadas

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Então vamos lá! Em protesto à cultura anti-educacionista, vou ensinar em três passos como tirar a paz e acabar com o ânimo das pessoas. Depois de escolher a vítima do dia, fazer o seguinte:


Primeiro: Faça comparações! Compare a pessoa com outras pessoas que você e ela conheçam. Diga o quanto as outras pessoas são melhores e fazem tudo mais perfeito do que ela. Se for seu marido, compare-o com os gentis maridos de suas colegas. Se for seu filho diga a ele o tanto que o filho da vizinha é mais organizado, obediente, educado e prestativo. Se for um colega de trabalho recém-chegado, lembre-o de como o colega anterior fazia a mesma coisa de forma mais rápida e muito mais eficiente! Procure pessoas perfeitas e depois compare, compare, compare copiosamente!

Segundo: Faça cobranças! Cobre presença, cobre interação, cobre satisfação, cobre feedback, cobre mais pontualidade, cobre mais empenho, cobre mais dedicação, cobre mais compromisso, mais educação, cobre mais atenção, cobre mais resultados, cobre notas mais altas, cobre mais presentes, cobre mais serviço, mais agilidade, cobre mais cuidado, cobre mais e mais. Faça-a pensar o tanto que ela é insuficiente em tudo! Enfim, cobre tudo que você lembrar. Cobre, cobre, cobre intensamente!

Terceiro: Depois de comparar bastante e cobrar muiiiiiito, agora Rejeite sem dó! Diga a pessoa que ela não é a pessoa ideal para sua vida ou para aquele trabalho ou tarefa e que está “muito decepcionada” com ela. Rejeite a presença dela, ignorando-a enquanto expõe idéias ou converse ao mesmo tempo em que ela fala. Rejeite a boa vontade dela e diga que “não precisa se preocupar”, pois você dá conta. Rejeite a opinião dela maneando a cabeça, enquanto ela fala. Rejeite suas justificativas, sorrindo cinicamente e dizendo que "não adianta se explicar", pois você já entendeu tudo. Rejeite a ajuda dela dizendo que ela pode “ir fazendo outra coisa”. Rejeite a amizade dela, esquivando-se do abraço e do aperto de mãos oferecidos. Rejeite-a intensamente fingindo que nem a vê e por isso ela “já morreu” para você. Enfim, rejeite, rejeite, rejeite com força!

Dificilmente um cônjuge, um filho, um colega de trabalho ou seja lá quem for ficará de pé e emocionalmente estável depois de ser copiosamente comparado, intensamente cobrado e nitidamente rejeitado. Não tem quem resista a este tripé maquiavélico! é bater e valer!

Advertência: Só tem um probleminha básico para quem resolver aplicar esta receitinha: Todo sentimento que alguém provoca em outras pessoas, mais cedo ou mais tarde também voltará para si, com força! Que sentimento você tem aflorado nas pessoas? Afinal, quem não está gostando do "eco" que está ouvindo, precisa mudar o "som" que está emitindo.

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Caminhos para a felicidade: Parte 3/3

terça-feira, 20 de abril de 2010

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No texto 1/3 destaquei a necessidade de a pessoa elaborar e compreender o sofrimento como primeiro caminho para a felicidade. Na parte 2/3 falei sobre ter amigos e ressaltei a importância da amizade, nem tanto em quantidade, mas imprescindivelmente em qualidade como sendo o segundo caminho para a felicidade. Vejamos agora o terceiro caminho:

Reflita alguns segundos sobre as decisões e atitudes mais malucas, irreverentes ou revolucionárias que você tomou em sua vida, tendo marcando significativamente a sua história. Lembrou de algo? Pois é! O que você provavelmente fez, se fez, com certeza tem íntima relação com o terceiro caminho para a felicidade.

Já imaginou porque a natureza fascina tanto as pessoas? Sabe por quê elas se encantam com as nuvens, com os pássaros ou com os rios? Porque esses elementos usufruem o que todos seres humanos precisam e querem, às vezes a qualquer custo!

Inúmeras pessoas, de todas as idades, que habitam ao redor do mundo estão agora mesmo pensando em uma saída para mudar a própria história, seja por uma necessidade pessoal, moral, social ou mesmo por uma questão de vida ou morte. O que essas pessoas estão fazendo é buscar o que chamo nesta série de o terceiro caminho.

Certamente a compreensão do sofrimento e bons amigos são elementos chaves para o gozo da felicidade nesta vida, contudo, a felicidade não poderá ser vivenciada em sua plenitude caso a pessoa esteja psicológica, física ou financeiramente privada de sua liberdade ou tenha sua autonomia impedida, prejudicada.

A história da humanidade está repleta de atos revolucionários justificados pelos seus fins de liberdade ou libertação. Desde escravos, prisioneiros e desertores de guerra, passando por vilões e mocinhos até príncipes, profetas e estadistas buscaram de alguma forma a liberdade e a autonomia para si ou para o outro. De que outra forma ouvimos a história de Moisés, Dom Pedro I, Mandela, Ghandi ou Jesus?

Por isto a natureza encanta a todos, pois é livre e autônoma. Depende de regras próprias com base em uma interação natural de elementos. Não aprisiona e não se prende a nada! As nuvens se metamorfoseiam com o vento e os rios se esquivam das rochas, mas cada qual vai em direção de seu destino, sem qualquer impedimento. Até as árvores têm a liberdade de permanecerem onde estão. Na natureza, tanto os elementos móveis quanto os fixos são deslumbrantes porque são livres para serem o que são e estarem onde estão. Talvez por isto o homem perverso agride tanto a natureza, pois ela tem o que ele sequer imagina como há de conseguir a liberdade e autonomia das nuvens, dos rios ou dos pássaros.

Aquilo que o homem invejoso não consegue ou não pode possuir e dominar, então agride e tenta humilhar, subjugar. Quem faz isto contra a natureza, certamente fará contra seu semelhante. No fundo no fundo, todo invejoso é também um perverso e vice-versa.

E as pessoas? Têm liberdade de ser quem são e estar onde estão? Têm elas recursos de autonomia suficientes para se dizerem independentes entre si? Nem sempre, nem sempre! Liberdade e autonomia são coisas desejadas por todos. Quando alguém consegue, o outro silenciosamente entra em desespero!

Humanos são reféns voluntários ou vitimados do tempo mal calculado, do trabalho exagerado, dos compromissos mal agendados, das dívidas mal contraídas, das conversas mal versadas, das idéias mal pensadas, das angústias mal choradas, dos traumas mal analisados e das pessoas mal intencionadas. Quem vive assim, vive uma vida de pouca felicidade; uma vida mal vivida.
Inúmeros filósofos e especialistas do comportamento humano tratam a liberdade e a autonomia dos seres humanos como elementos fundamentais à sua existência. A Constituição Federal dos países democráticos contemplam em sua essência e artigos a liberdade de expressão, a liberdade de ir e vir e até aos presos lhe é garantida a tentativa de fuga como princípio de liberdade.
A liberdade é o valor supremo das Nações e ideal de seus cidadãos. A liberdade pressupõe que todo indivíduo tem o direito de exercer sua vontade nos limites que sua cultura e leis lhe permitem. Nesse sentido, nenhuma pessoa, a princípio, deveria estar (ou se colocar) cativa e submissa à vontade de uma outra pessoa, de uma idéia limitadora, de um trabalho explorador ou mesmo "cativante". Não gosto da frase de Exupéry: "Se tu me cativas...". Ninguém tem o direito de cativar o outro e ninguém deveria se permitir ser "cativado" pelo outro.
Pessoas cativas são pessoas que contrariaram o princípio da liberdade e comprometeram a sua felicidade, pensando que estavam fazendo justamente o contrário.

Toda pessoa conformada a uma situação qualquer de subjugação é também proporcionalmente infeliz. Algumas pessoas que vivem cativas costumam sonhar que estão voando ou que estão correndo. Elas têm fascínio por aviões, pássaros e pela natureza, pois se sentem presas a algo ou a alguém e desejam no recôndito de sua alma a liberdade. Muitas jovens nutrem a esperança de que um príncipe montado em um cavalo branco irá salvá-la da torre-prisão, mesmo estando esta torre no ápice de um castelo imperial! Quantas mulheres têm corrido para palácios e castelos deslumbrantes e depois se vêem prisioneiras do medo?

As crianças são as que mais sonham com a liberdade. Quanto mais se tolhe e reprime a liberdade de uma criança, mais se avoluma a rebeldia dentro deste futuro adolescente. Quando a revolta e a raiva contidas não eclodem até a adolescência é muito provável que então surgirá, proporcionalmente, um adulto ansioso, depressivo ou perverso. Pode-se e devem-se impor limites às crianças, dizer não e determinar o que pode e o que não pode ser feito, mas é um risco altíssimo negligenciar a percepção de liberdade que tal criança constrói ao longo de sua infância. Quanto maior a sensação de privação, maior o descompensação emocional.

Entendo que cada qual faz como sabe e consegue fazer. Uns criam e inovam, enquanto outros copiam ou até roubam. Crianças, adolescentes, adultos ou idosos; todos buscam das formas mais criativas, equilibradas, sensatas e até por meio das atitudes mais tolas, bizarras e criminosas a liberdade e a autonomia que a genética lhe cobra, a natureza lhe inspira e o inconsciente determina. O homem foi criado para ser livre e sobreviver das soluções que criar. A autonomia chega quando a pessoa consegue subsistir com os próprios recursos morais, intelectuais e financeiros, cada qual do seu jeito, na medida em que aprendeu ou viu fazer.

Considerando o dinheiro um meio eficaz para a liberdade e autonomia da pessoa; e considerando que a autonomia é um dos critérios da felicidade, então o dinheiro traz felicidade sim! Porém, a idolatria pelo dinheiro pode ter efeito colateral e trazer infortúnio, pois o avarento pode até ter muito dinheiro, mas perderá verdadeiros amigos, comprometendo o segundo caminho para sua felicidade.

Enfim, a maturidade como a pessoa encara seus sofrimentos; a qualidade de suas amizades e o modo como ela conquista e usufrui sua liberdade e autonomia são, em essência, os caminhos da felicidade que, quando trilhados de forma ética, moral e consciente, gera a felicidade, pois a felicidade não é um destino que se pode chegar e sim os caminhos que se trilham, enquanto se vive. Preciso é saber viver. E quem nos ensinará?

Como os pais têm ensinado seus filhos a encarar os problemas da vida? Como a família e a escola têm sido “modelos” de sociabilização e redutos das amizades sinceras? Como os governos e a sociedade de modo geral têm proporcionado aos cidadãos usufruir liberdade e construir autonomia? Serão os adultos de amanhã pessoas capazes de se sentirem plenamente felizes e realizadas? Assim, para que o futuro seja um lugar amistoso, produtivo e bom de se viver é preciso que seja repleto de pessoas hábeis em lidar com desafios, que sejam amistosas e com equilíbrio de liberdade dentro dos limites, além de autonomia suficiente para sobreviver com o que produz, sem subjugar o outro.

Caminhos para a felicidade: parte 2/3.

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Para a consecução da compreensão do sofrimento, desde os mais corriqueiros e superficiais até aqueles mais arrasadores e profundos, um elemento é extremamente fundamental para esse processo: Um amigo ou uma amiga de verda de! é nesta hora que um estranho presente vale mais do que um conhecido ausente.

Já foi comprovado cientificamente que a presença de uma pessoa amiga nas primeiras cadeiras de um auditório pode gerar ocitocina suficiente para qualquer orador recobrar sua segurança e autoconfiança, superando o medo de falar em público em meio a tantas pessoas alheias.

A ciência afirma que a ocitocina está presente na contração uterina durante o parto e também na ejeção do leite materno durante a amamentação, causando aquela sensação de conforto, acolhimento e segurança ao bebê provocando amizade eterna entre mãe e filho. Esse hormônio é fundamental na construção e manutenção de vínculos sociais e está amplamente presente nas relações amistosas. Se a presen&cce dil;a de alguém conseguir provocar em seu cérebro a liberação da ocitocina, então pode ter certeza de que o seu afeto por esta pessoa estará determinado. Tanto isto é verdade que a ocitocina foi batizada pelos especialistas como “hormônio do amor”.

Ao contrário do que a presença de um verdadeiro amigo pode aflorar em nós, a presença de uma “perssona non grata” pode inundar nosso corpo com o hormônio do estresse, o cortisol, dificultando ainda mais a atenção, o raciocínio e, por consequência, a sensação de paz e tranqüilidade, conduzindo qualquer um ao estado de tensão, agressividade e instabilidade emocional, o que fará distanciar de tudo aquilo que se pode perceber e sentir como estado de felicidade.

Nesse sentido, as pessoas que são mais afáveis e sociáveis e, por isso, têm maior facilidade em fazer e manter amigos contam com uma espécie de “batalhão de choque” contra os revezes da vida. Assim, quanto mais amigos se conseguem, mais rápido se estancam sofrimentos e superam-se crises.

O contrário é verdadeiro: as pessoas mais afastadas, introvertidas e desprovidas de amigos têm baixa resistência aos problemas do dia a dia. Estão sempre se sentindo inseguras, sozinhas e por isso tendem a ficarem mais ansiosas ao menor sinal de perigo, desenvolvendo uma perspectiva triste, solitária e infeliz sobre sua própria vida, pois se sentem mais frágeis e mais vulneráveis ao que está passando.

Roberto Carlos sabia disto quando afirmou em sua canção que queria ter um milhão de amigos para que pudesse “bem mais forte” poder cantar! Grandes profetas e mestres das religiões enfatiza ram a importância de se fazer amizade e ter amigos para o fortalecimento do indivíduo e do grupo, comparando a pessoa que vive isolada ao pedaço de carvão de brasa extinta porque se afastou do braseiro ou da folha que se rasga mais fácil quando separada da resma.

Jesus promoveu seus amigos discípulos à condição de irmãos, tamanha a comunhão entre eles e instituiu a Eclésia como lugar de proteção e fortalecimento mútuos.

Afastar-se dos amigos em momento de dor e sofrimento não é uma boa idéia. Querer ficar só, estando mal, não é uma escolha saudável. No reino animal, a espécie que se afasta do grupo é alvo das bestas feras do campo. Se em momento de tribulação a pessoa desejar afastar-se de um amigo ou de seu grupo, ou é porque não se sente segura em relaç ;ão àquela amizade ou se sente ameaçada pelo grupo. Assim, tudo que afasta os amigos-irmãos, como a desavença, a desconfiança ou mesmo a falta de tempo e o corre-corre do dia a dia, também diminui a felicidade do indivíduo.

Como cantou Milton Nascimento: “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito...”. Onde está aquela pessoa que faz seu cérebro produzir ocitocina ao invés de cortisol? Liga pra ela! Amigos duplicam a alegria e dividem a tristeza. Quando há amizade entre casais ou entre pais e filhos os relacionamentos duram muito mais tempo e com maior qualidade, mas quando a presença de uma pessoa libera cortisol na outra, então a dor, o sofrimento e o distanciamento são inevitáveis! O menor problema se agiganta e o ânimo sucumbe.

Não há problema demasiadamente grande ou lugar apertado quan do se está entre amigos, mas o mundo se torna um lugar hostil e pequeno para dois inimigos, não é verdade? Que júbilo pode haver em qualquer coisa se não se tem com quem compartilhar? Que graça tem aquele almoço de domingo; ou um vinho caro; ou um delicioso sorvete; ou ainda a viagem sonhada senão a graça da companhia de alguém? Melhor ainda se for uma pessoa amiga!

Porque será que os comerciais de bebida têm sempre uma roda de amigos? Porque o que dá sabor àquela bebida amarga e intragável é, sem dúvida, a companhia de gente querida. Uma vida sem amigos é uma vida insossa! Nada tem graça, não tem sabor!

Nelson Gonçalves cantou a ausência do pai amigo na canção “Naquela mesa”, pois estava faltando aquele que o compositor chamou de amigo e mais que seu filho era também seu fã. Fábio Júnior sente profunda saudade do pai amigo, saudade esta interpretada na canção “Pai”. De forma que o verdadeiro amigo pode surgir entre pessoas estranhas ou dentro da própria família. Importa que a amizade seja verdadeira e duradoura.

O segundo caminho para a felicidade acontece quando uma pessoa se dispõe a conquistar e manter amigos, sendo amiga! O amigo não precisa ser necessariamente um parente ou um estranho; ser rico, forte ou influente, basta estar presente na quantidade de tempo e com a qualidade de presença suficiente para acolher, alimentar, proteger, compreender e amar. A palavra “amigo” é filha da palavra “amar”.

Triste pensar que boa parte das crianças e pessoas desaparecidas sai de casa por vontade própria em busca de amizade (amor) na rua, nos órgãos assistenciais e até mesmo nos grupos criminosos.

Pais ausentes, entupidos de trabalho, totalmente indisciplinados na divisão de seu tempo perdem a grata oportunidade de desenvolver amizade profunda com seus filhos, mesmo “dando tudo do bom e do melhor”. Mas o homem à toa que fica na esquina pode ser aquele que será chamado de “melhor amigo” pelo filho que se sente abandonado, mesmo às vezes tendo tudo do bom e do melhor.

Qual amizade poderia ser melhor para uma criança do que a amizade de uma mãe ou de um pai? A do cachorro? A de um estranho? Qual pessoa, por mais abastada e sincera que fosse poderia se dizer e se sentir feliz sem que pudesse contar com pelo menos uma pessoa amiga para compartilhar aqueles momentos especiais ou cruciais da vida?

A felicidade só pode ser usufruída se for produzida e, uma vez produzida, para mantê-la latente é necessário que esta seja compa rtilhada. Por isto a amizade é elemento fundamental para a manutenção da felicidade produzida, pois ela só é contínua quando é dividida com alguém.

Caminhos para a felicidade: parte 1/3

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Tudo o que uma pessoa faz pulsa pela felicidade, sua ou do outro não importa, pois acaba revertendo à sua própria!

A felicidade é um dos temas humanistas mais discutidos por filósofos, pensadores e religioso s de todas as épocas. Como objeto de desejo íntimo inerente a todo ser humano, o tema é amplamente explorado por quem quer vender um produto ou persuadir alguém a uma idéia.

Na ausência de uma pílula da felicidade, substitui-se essa por bens de consumo. E tal como uma pílula, o consumo precisa ser contínuo e sistemático, de tantas em tantas horas, enquanto durar seu efeito: a falsa sensação de felicidade. Arruma-se uma coisa, estragam-se outras! Tudo tem efeito colateral. Remédio, drogas, compras, pessoas...

Afastar a dor e o sofrimento não é o mesmo que buscar a felicidade. Este é um pensamento infantilizado, pois tudo que realmente vale a pena nesta vida é resultado de muito sacrifício. Assim, tudo que abranda o sofrimento em nome da satisfação imediata de uma necessidade real ou imaginária, também a branda a felicidade.

Então ser feliz é permanecer no sofrimento? Que incoerência! Nada disto! Contudo, só poderá usufruir felicidade quem a produzir. De forma que a felicidade é algo produzido em processos que geralmente causam muita dor e sofrimento. Deste modo, toda pessoa infeliz é aquela que ainda não compreendeu a aflição que está passando (passando!).

Pense na bailarina, no cantor, no piloto ou no professor de sucesso! Nunca houve uma exímia apresentação em noite de gala ou em dia de aula sem a presença de calos nas mãos, nos pés ou nas cordas vocais. Não há qualquer pessoa notadamente reconhecida neste mundo que não tenha passado por sacrifícios e por dor de forma sublime enquanto fazia aquilo que acreditava e por isto compreendia a dor.

Qual mulher encararia, suportaria e poderia superar a dor do parto não fosse a compreensão de seu significado? Quem almejaria ser contorcionista? Quem iria querer ser bombeiro ou astronauta? Como poderia Jesus Cristo pedir a Deus que perdoasse seus algozes, enquanto martirizava na cruz, não fosse a compreensão de sua missão?

Qual é a sua missão pessoal ou profissional? Consegue relacioná-la ao que está passando?

Há muitas analogias sobre escuridão e luz. A escuridão é a falta de entendimento, de perspectiva; e a luz representa a compreensão. Luz e trevas são incompatíveis. Da mesma forma, tristeza e felicidade são incompatíveis! O martírio permanece somente até a chegada do entendimento sobre aquela situação, depois vem a felicidade instantaneamente.

Entende-se que o sofrimento dura enquanto não há entendimento, mas a felicidade chega junto com a luz, que é a compreensão sobre um fato angustiante ou uma situação de sofrimento. Afogar as mágoas na bebida ou evitar encarar um problema é permanecer na escuridão e dar vida longa aos sofrimentos. Portanto, se eventualmente estiver passando por um momento de aflição taque logo um holofote em cima dele. Encare-o sozinho ou com a ajuda de pessoas ou profissionais de sua confiança. Analise o sofrimento e compreenda-o o mais rápido que puder!

O primeiro caminho para a felicidade acontece quando você analisa suas vivências e consegue compreender o sofrimento. Não precisa justificá-lo, muito menos aceitá-lo, nem mesmo desejá-lo, mas compreendê-lo de forma bem estruturada nas concepções de uma mente proporcionalmente madura, desvinculando os aconte cimentos atuais dos eventuais erros do passado, mesmo que inconscientes, como se o sofrimento de hoje fosse uma inevitável consequência de uma mancada do passado. Quer você lembre dela ou não.

ENTENDENDO A PESQUISA SALARIAL

por Renato Fazzolari

Um amigo meu que tem 3 filhos, e todos com personalidades e comportamentos muito diferentes, me confessou em tom de queixa: - Não sei o que acontece, criei os três igualmente, com a mesma atenção, mas cada um saiu diferente do outro.

Respondi-lhe que cada um é uma individualidade, e tinham suas necessidades diferentes, de forma que, se ele tratou todos da mesma maneira, com certeza para um pode ter excedido, enquanto que para outro pode ter faltado atenção.

Analogamente ocorre com as empresas, é comum se ouvir falar através das direções que: - Na minha empresa quero que todos os funcionários estejam na média ou no 3º Quartil (que é um valor acima da média do mercado).

Falam isso como se a média ou 3º Quartil fosse um número absoluto, e uma solução que comprovará a eficácia de sua política de salários.

Puro engano!

Pesquisa salarial é como o caso do indivíduo que teve a cabeça colocada no freezer e os pés no forno. A temperatura do umbigo estava na média, mas o indivíduo morreu.

Quem trabalha com pesquisas salariais sabe muito bem que as variáveis que compõem uma pesquisa são tantas e se não forem muito bem ponderadas, poderão dar uma distorção nos resultados, que ao invés de ajudar irá só atrapalhar.

Vejamos alguns exemplos que podem causar essas distorções:

- A pesquisa é um conjunto de números, que oscilam demasiadamente;
- Nem todas as empresas que participam são as que mais interessam, às vezes conforme o caso, as que mais interessam não participam;
- Os números que se obtém nas tabulações são fabricados estatisticamente, eles mesmos não existem como salários reais;
- A correlação da importância do cargo que se tem na empresa, com o pesquisado, em geral é sempre diferente;
- O equilíbrio interno que o cargo está situado, em relação ao das outras empresas nunca é igual, e daí por diante.

De maneira que, se não se souber usar a pesquisa, analítica e ponderadamente, poderá se estar cometendo um grande equívoco administrativo, e apesar das boas intenções, haverá o risco de formalizar um desajuste nas estruturas salariais, e criar um descontentamento e desmotivação entre os profissionais da empresa; e tal qual o pai das crianças citado acima, se estará errando, porém com a consciência tranqüila de se estar fazendo o melhor possível.

Obs.: No caso específico de Usinas, em função da enorme dinâmica que o setor vem passando, e a revalorização dos cargos no mercado, devido a maior ou menor escassez de categoria de profissionais, o risco de se obter uma pesquisa distorcida é muito grande, de modo que é prudente aguardar um cenário de mercado um pouco mais estável para se realizar qualquer pesquisa salarial. E enquanto isso use o bom senso, levando em consideração a realidade da usina, a necessidade e o custo x benefício de cada cargo, e não deixe de ponderar o equilíbrio interno.

"Dicas em Conta Gotas”, são matérias compactas que periodicamente a AGRHO divulga, que abordam temas variados e relevantes, procurando despertar e/ou orientar nossos parceiros, sobre as armadilhas organizacionais e comportamentais do dia-a-dia.

A experiência de um sábio

SILVESTRE GONÇALEZ
silvestre@desktop.com.br
Eu conheci um homem muito sábio e fiquei surpreso com a sabedoria e os conhecimentos que ele tinha. Aproveitando a oportunidade comecei a indagar sobre alguns problemas que todos enfrentam no dia-a-dia. Ele me disse que a vida é assim mesmo, uns têm problemas demais outros menos, mas ninguém vive sem.

Depois ele continuou a me explicar que na vida há tempo para tudo. Tempo para nascer e morrer. Tempo de plantar e colher. Tempo para chorar e rir. Tempo para ficar calado (só ouvindo) e tempo de falar. Tempo de lutar e de viver em paz. Ouvindo-o atentamente descobri que não há nada melhor para nós do que ser feliz e viver o melhor que puder.

Segundo ele, é melhor ter pouco numa das mãos, com paz de espírito, do que estar sempre com as duas mãos cheias de trabalho, tentando pegar o vento. Este homem também me disse que é melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Porque se um cair à outra pode ajudar a levantar-se. Disse-me ainda que das muitas ocupações brotam sonhos, do muito falar nasce a prosa vã do insensato. Porquanto é bom ficar atento porque existe uma hora e uma maneira certa de agir para cada situação.

Ninguém é capaz de entender o que se faz debaixo do sol. Por mais que se esforce para descobrir o sentido das coisas, o homem não encontrará.

O que mais me impressionou nesse homem foi quando disse sobre os destinos de todos nós: o que acontece com o homem bom, acontece com o homem mau, o que acontece com quem faz juramentos, acontece com quem teme fazê-los. O coração dos homens, além do mais, está cheio de maldade e de loucura durante a vida; e por fim eles se juntarão aos mortos. Quem está entre os vivos tem esperança.

Para finalizar ele me disse: os velozes nem sempre vencem a corrida, os fortes nem sempre triunfam na guerra, os prudentes nem sempre são ricos, os instruídos (aqueles que mais estudam) nem sempre têm prestígio, pois o tempo e o acaso afetam a todos. Além do mais, ninguém sabe quando virá a sua hora. Agora que já ouviu tudo, aqui está à conclusão: um dia Deus julgará tudo o que foi feito inclusive o que está escondido aos olhos dos homens, seja bom, seja mau.

Esse homem sábio é Salomão, o texto foi escrito há mais de 2.300 anos antes de Cristo, é bem atual e está no livro da Bíblia em Eclesiastes no Velho Testamento. Se por acaso dissesse no começo do texto sobre o autor, talvez alguém poderia não ler e perder essa preciosidade.


SILVESTRE GONÇALEZ
Jornalista, publicitário, pós–graduado em Administração e Marketing e Assessor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Sumaré.
Email: silvestre@desktop.com.br

*NOTA : o JornalRMC abre esse espaço para que nossos colunistas exponham, de forma voluntária, seus pontos de vista sobre os assuntos em que são especialistas. Dessa forma, as opiniões apresentadas são de única e exclusiva responsabilidade dos mesmos, não refletindo necessariamente a opinião do portal e de seus editores.