Chafic Jbeili – chafic@chafic.com.br
O constitucionalismo diz respeito à política adotada pela empresa para reger a vida de seus colaboradores. Em geral, esta política é refletida no conjunto de regras e normas pelas quais os dirigentes balizarão suas ações no sentido de garantir e preservar os direitos dos trabalhadores, tais como segurança, privacidade, salário, plano de carreira, liberdade de expressão, entre outros fatores que determinarão a cultura organizacional, inclusive programas de Qualidade de Vida no Trabalho.
Pode parecer óbvia a pertinência deste sexto pilar em uma organização; entretanto, pode-se contar nos dedos as empresas e instituições que realmente mantém tal política de forma bem elaborada e adequada às necessidades dos trabalhadores. As micro e pequenas empresas, por exemplo, que formam o maior volume quantitativo das firmas registradas no país, dificilmente sustentam projetos na área de Recursos Humanos e quando os têm, estes são informais e estão sujeitos ao humor dos empre sariado, possibilitando alterações a todo instante, sem aviso prévio e conforme a conveniência deles, resultando cotidianamente em violação de direitos.
O regime de escravidão no Brasil, teoricamente extinto há mais de um século, onde a ausência total de constitucionalismo era evidente, ainda é praticado nos dias de hoje. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (2006), cerca de 25.000 pessoas no Brasil, a maioria homens semi-analfabetos, com idade entre 25 e 40 anos ainda trabalham em condições escravagistas, com restrições de acesso a água potável, dormem ao relento, não recebem salário, sendo privados inclusive de um dos direitos constitucionais e fundamentais do cidadão: O direito de ir e de vir.
Mesmo que a maioria dos trabalhadores no Brasil não esteja sujeita ao formato original do regime de esc ravidão, esta mesma maioria está de alguma forma sendo privada ou violada em seus direitos e conquistas contemporâneas. Tanto isto é verdade que o Brasil é campeão em ações trabalhistas. Segundo dados do sociólogo José Pastore, anualmente são registradas cerca de dois milhões de ações, divididas em reparação de danos materiais ou morais.
Apenas como comparação, nos Estados Unidos os processos trabalhistas não passam de 75 mil; na França este número cai para 70 mil; seguido do Japão, com apenas 2,5 mil processos por ano.
Entre os fatores que banalizam a legislação e fazem os processos trabalhistas cresceram no Brasil são: legislação atrasada, falhas nas cláusulas, artigos em desacordo com os costumes atuais e, principalmente, o fato de a maior parte das empresas não se interessarem em estabelecer sua política de gestão de recursos humanos, potencializando os desentendimentos entre patrões e empregados, fazendo avolumar as demandas judiciais.
A desigualdade entre homens e mulheres, desde o aspecto de ascensão profissional até a remuneração são evidentes, em especial nas organizações isentas de constitucionalismo formal. A mulher já provou que é bem mais competente, eficiente e eficaz em vários cargos e funções antes ocupados apenas por homens, mas seu acesso a cargos de chefia e liderança ainda sofrem preconceitos e quando conquistam tal espaço, sua remuneração fica aquém daquela paga a um colaborador do sexo masculino.
A falta de regras claras na gestão de recursos humanos em uma instituição também abre portas para a prática do as sédio moral, a exemplo de profissionais que são privados de sua liberdade de expressão por meio de ameaças sublimares. As perseguições são constantes e o trabalhador precisa se submeter ao silêncio desencadeador do estresse laboral para não perder o emprego e, obviamente, sua renda, motivo de sobrevivência e manutenção de sua família.
Se você tem uma escola, empresa ou trabalha em uma organização que não pratica o constitucionalismo, ou seja, não possui clara e bem divulgada sua política de recursos humanos, em especial no que diz respeito às garantias mínimas das condições de trabalho dos colaboradores, sugiro que contrate especialista em RH para fazer uma avaliação e elaborar o projeto de seu empreendimento.
Ao estabelecer regras elementares de direito de proteção do t rabalhador, garantir a liberdade de expressão, definir normas que afiançam o tratamento imparcial, você estará efetivando o sexto pilar da QVT: o constitucionalismo e, assim, empregando mais qualidade de vida no trabalho para seus colaboradores, evitando prejuízos futuros com ações trabalhistas, além de garantir mais produtividade enquanto o trabalhador estiver a serviço de sua organização.
Preservar os direitos fundamentais e constitucionais das pessoas que trabalham com você e defender seus direitos trabalhistas além de legal, no sentido de cumprir a Lei, é também prova de inteligência empresarial e competência gestora.
Ignorar o aspecto legal nas relações de trabalho é um erro grave, extremamente sério e preocupante, tanto no aspecto financeiro quanto no aspecto humanitário.
Se você não recebeu um dos pilares anteriores (1 a 5), acesse www.chaficjbeili.blogspot.com e leia-os na íntegra!
Abraços,
Chafic Jbeili
www.chafic.com.br
O sexto pilar da QVT: Constitucionalismo
domingo, 28 de março de 2010
Postado por Franco Moraes às 22:15 0 comentários
Marcadores: Empregabilidade e recursos humanos
GENTE, UM MAL NECESSÁRIO OU UM MEIO PARA CHEGAR AO SUCESSO?
por Renato Fazzolari
Com certeza essa empresa estaria dando um tiro no próprio pé, não é? Seria uma questão de tempo para ter problemas. As concorrentes agradeceriam essa vacilada, e com certeza logo estariam abocanhando uma saborosa fatia de seu mercado.
O mesmo, e com conseqüências muito mais graves, acontece com empresas que pensam da seguinte maneira:
"Não estamos tendo problemas de perder funcionários, então não precisamos nos preocupar com o fator humano."
Infelizmente esse não é um pensamento tão incomum nas empresas. É a forma acomodada de ver as coisas. É a falta de visão de achar que se não está ruim é porque está bom. Avaliam sua política de pessoal pela falta de rotatividade.
Oh! Santa ingenuidade!
As empresas de sucesso obrigatoriamente têm um quadro de pessoal ajustado, motivado e competente, enquanto que o principal fator das empresas fracassadas é geralmente o inadequado, desmotivado e incompetente quadro de pessoal.
Na frenética agilidade com que as coisas acontecem nos dias atuais, quem pensa em se dar ao luxo de, como dizem “dar um tempo e empurrar com a barriga”, e subestimar o fator humano, vai ficar pra trás rapidinho.
Só falar da boca para fora que os funcionários são o maior patrimônio da empresa, é tentar enganar os outros, e pior ainda, se auto-enganar. Pois os funcionários realmente são o maior patrimônio das empresas, são eles que vão determinar o sucesso ou o fracasso de qualquer empreendimento.
No cenário atual que se encontra o segmento sucroalcooleiro, saber captar e manter bons profissionais é vital, principalmente porque os resultados nem sempre aparecerão de imediato, porém obrigatoriamente serão sentidos nas safras seguintes. Por isso, contratar bem e manter os funcionários motivados poderá ser o fator determinante do lucro ou prejuízo no futuro.
Analise com seriedade se a política de pessoal que se está colocando em prática é a mais adequada e eficiente para as necessidades da empresa, e se está compatível com a realidade do mercado. Mas não pense somente a curto prazo, pense principalmente em relação ao futuro.
Ou será que vai querer dar um tempo e um tiro no próprio pé?
Renato Fazzolari
Postado por Franco Moraes às 20:48 0 comentários
Marcadores: Empregabilidade e recursos humanos
Fale menos, faça mais
Postado por Franco Moraes às 20:44 0 comentários
Marcadores: Artigos sobre educação, Empregabilidade e recursos humanos
Os olhos não mentem
Postado por Franco Moraes às 20:43 0 comentários
Marcadores: Artigos sobre educação
O anjo e o monstro sou eu!
Prof. Chafic Jbeili
Já parou para pensar que o anjo ou o monstro que permeia a sua própria mente ou o pensamento do outro pode ser você?
Eu sempre tive medo do escuro. Não sabia o que havia lá, a não ser o que a minha imaginação arranjasse. Na escuridão, havia os seres mais esquisitos e mais nefastos que minha memória lembrava ter visto nos desenhos, nos filmes ou que eu ouvia nas histórias que me contavam. Bastava uma leve penumbra e as mais horrendas criaturas começavam a surgir desinibidamente, causando-me arrepios, fazendo-me recolher para debaixo das cobertas, mas também me faziam lembrar os anjos e a proteção divina e de meus pais. Eu corria para o colo da mamãe ou do papai, orava e o medo ia embora.
Interessante é que eu nunca fui atacado e agredido fisicamente por qualquer uma daquelas criaturas imaginárias, lógico, embora elas fossem fantasiosamente reais e terrivelmente assustadoras.
Eu cresci, aprendi algumas coisas sobre imaginação e descobri que na verdade os meus monstros nunca existiram, a não ser na minha cabeça, onde elas foram implantadas e, posteriormente, majoradas por mim.
Durante algum tempo eu reproduzi as caretas e os gestos daquelas criaturas. A idéia era fazer com meus irmãos, primos e amigos aquilo o que os monstros faziam comigo: assustar e fazer correr! Eu me divertia com a brincadeira, pois representava bem o assombroso papel.
Eles, os monstros imaginários, pareciam fortes e imbatíveis, mas bastava uma simples lanterna e eles desapareciam instantaneamente. Nenhum monstro é mais forte que os braços de um pai corajoso ou a fé de uma mãe zelosa. Foi e ntão que eu descobri o poder da luz e dos pais, nossos primeiros super-heróis. A claridade e o colo me davam segurança e devolviam minha coragem. A quem temer se eu tinha uma lanterna nas mãos, além do super-homem e a mulher maravilha bem no quarto ao lado!
Mais tarde, quando servi o exército, descobri que a mesma luz que afastava as criaturas sombrias da minha mente também me delatava aos inimigos visíveis e, então, precisei fazer as pazes com a escuridão, pois ela iria me proteger dos meus oponentes e o sargento disse que eu não podia chamar meus pais.
Na escuridão eu me tornava invisível e a invisibilidade me oferecia vantagem estratégica contra as ameaças reais. Além disto, aprendi que era o medo que me preservava a vida, ao contrário da coragem, que me aproximava da morte.
Desde então, variavelmente, uso a luz pa ra fugir da parte obscura da minha imaginação e uso a escuridão para me proteger dos inimigos. Preciso da luz para aparecer e me fazer notar pelos amigos, mas preciso da escuridão para me esconder da extinção. Quando apareço para os amigos me revelo aos inimigos. Quando me escondo dos hostis oponentes, então sumo para aqueles que me querem bem, de modo que não dá para aparecer o tempo todo e nem sumir permanentemente.
é na luz do dia e no campo aberto que arrisco a vida em busca do alimento que me mantém vivo, mas é na caverna sombria, cheia de morcegos, que me defendo, resguardando a minha vida.
A aflição deste pique-esconde vivencial dá origem a ansiedade e inquietação, perturbando-me o espírito e a alma, provocando em mim certa irritação de humor, fazendo com que eu alterne meus modos entre gentileza e agr essividade. Ora sou cavalheiro, ora algoz. Digo meia dúzia de palavras bonitas para algumas pessoas e em outro momento estou ferindo o sentimento de alguém. A noite sou poeta, de dia sou gladiador. A noite escrevo estes textos, de dia vendo meus cursos.
Quando volto da noite sou alegre e afável, pareço um anjo, faço aproximar. Quando volto do dia grito, esperneio, firo com palavras, desprezo, esbravejo, vitupero, desdenho, rejeito, demito, faço caretas, assusto e faço temer. Tanto no claro quanto no escuro, aterrorizo, ponho para correr ou faço aproximar!
Há aqueles que temem o escuro, por não saber o que pode haver lá e ficam paralisados, não progridem porque não arriscam acender a lanterna das idéias. Porém, há aqueles que temem a luz dos holofotes e da atenção e não conseguem se expressar em público, rejeitam a promoção e não aceitam desafios. De forma que nosso maior problema não está no escuro ou na luz, mas no medo de ambos.
Vale à pena refletir nas palavras de Eleanor Roosevelt, quando diz: "Você ganha forças, coragem e confiança a cada experiência em que você enfrenta o medo. Você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue."
Quando pergunto a alguém sobre seus medos e quem é o anjo que a fascina ou o fantasma que a atormenta, ela diz: “você!”. Então, boquiaberto, descubro que o anjo e o monstro na cabeça do outro também pode ser eu! Meu Deus!
Postado por Franco Moraes às 20:42 0 comentários
Marcadores: Artigos sobre educação
A Influência da Assessoria na Liderança
Postado por Franco Moraes às 20:41 0 comentários
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O preço da generosidade
Chafic Jbeili - chafic.jbeili@gmail.com
Como é insuportável e doloroso doar-se pela saúde e qualidade de vida dos colegas educadores e, ainda assim, depois de dez anos de dedicação, estendendo a mão amiga, orientando muitos desta classe que tanto admiro, ser por um deles tratado como bandido.
Como é insuportável e pesaroso tolerar aqueles recém-graduados que, inconscientemente sugestionados por algum de seus mestres frustrados, portadores de notórios diplomas e almas amarguradas, se apresentam coléricos, contaminados com os abusos dos rigores acadêmicos cujas exigências mais refletem uma personalidade perversa do que o espírito científico produtivo. Tal comportamento de nada vale para as relações de amizade e de trabalho, muito menos para o ensino eficaz. Estes exigem muito dos outros aquilo que nem eles mesmos, em toda sua vida, poderão oferecer.
Mal sabem que a letra mata, mas o espírito vivifica. A letra é o significado da palavra escrita, e o espírito o significante do que a palavra representa e aflora no outro. Mas não é por isto que deixarei de ser quem eu sou e fazer o pouco que faço. Este é o preço da pouca generosidade que arrisco colocar em prática pensando em quem realmente vale a pena fazer algo.
Mesmo porque são pouquíssimos os deficientes proprioceptivos que me aparecem (na verdade um por ano!). São vítimas de abusos dos mais varidos tipos, no que tange às exigências sem causa, sem razão e sem limites. Eles aparecem do nada, com dez pedras nas mãos e o canudo da formatura pendurado no pescoço, rangendo os dentes, com suas babas verdes de alienígena possesso e rosnando como cão ávido pela bocada. Eles me parecem o filho de Alien com o Predador fazendo o filme O Exorcista.
Digo a ela: Que faculdade horrenda esta que você foi submetida a graduar-se minha jovem e imatura recém-formada? Quanta raiva e ódio acumulados. Deu vontade de dizer mais... Vá derramar seu caminhãozinho de lixo emocional no quinto dos infernos, ou melhor, vá reciclá-lo no divã de algum psicanalista ou psicólogo competente dos tantos que conheço. Será que nunca ouviu falar em Cristo? Ou pelo menos em Buda ou Ghandy? Quanta falta de espiritualidade...
A pessoa que desconhece a si, representa um risco para uma cidade inteira, mas a pessoa que desconhece o amor de Deus é um risco para a humanidade. São os mal amados, super-exigidos de ontem que se tornam e produzem os super-exigentes de hoje.
Esta é a lição: Jamais deixe de ser quem você é por causa daqueles que mal conhecem a si mesmos. Suas virtudes não devem ser colcoadas de lado por causa das maldades de algumas poucas pessoas. O pouco que fizer, faça por amor sem relação com o objeto e sem esperar algo em troca.
àquela mal agradecida eu digo: Se o que tenho te serve, sirva-se! Senão, deixe para outros que querem e sabem valorizar! Estes sim, não são poucos e fazem valer a pena eu pagar o preço deste meu pequeno pedaço de generosidade! (Chafic Jbeili)
Postado por Franco Moraes às 20:40 0 comentários
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